Um blog de recortes e de textos sobre a forma mais sensível de amar, o amor que nasce da amizade, além de outros textos sobre amor, amizade e relacionamentos entre amigos.
30
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 03:17link do post | comentar

Ontem, tratamos de um caso em que a mulher deixou de cuidar do corpo porque estava em um relacionamento estável (mas não eterno, obviamente). Hoje falemos da situação oposta: os excessos no culto ao corpo.

 

Claro que é muito positivo oferecer, sempre, um corpo bem cuidado ao parceiro. Aí está a beleza do relacionamento: a preocupação com a própria saúde física, relacionada com a atividade física regular, combinada com a preocupação com o parceiro, relacionada com a manutenção de um corpo esbelto e atraente.

 

Mas, em alguns casos, a equação não fecha: se o seu parceiro não é mais que mediano na comparação com outros potenciais parceiros, ou não valoriza tão intensamente a atratividade física, que lógica há em você passar horas na academia ou, ainda pior, tomar anabolizantes para ter um corpo cheio de músculos?

 

A resposta que eu mais tenho visto em casos conhecidos: traição. O corpo é cultivado não para o parceiro fixo, mas para os potenciais parceiros ocasionais. A própria academia é um ambiente muito propício para se encontrar pessoas que valorizam demais este aspecto no relacionamento ou que desejam relações de ocasião.

 

É até curioso que o cultivo ao corpo seja incentivado pelo parceiro traído. Mais curioso é que, nos casos em que eu conheço, isto não aumenta o sentimento de culpa no traidor, o que mostra um grau de egoísmo muito alto.

 

Se você quer um namorado musculoso e fiel, faça como uma amiga: procure um militar, um estivador, um atleta... enfim, alguém que tenha músculos por questões profissionais. O resto, na maioria dos casos, é de gente egoísta: egoísta porque trai ou porque coloca o corpo como mais importante que o parceiro.


29
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 02:09link do post | comentar

Um dia desses estava a conversar com uma amiga e ela revelava um caso de uma colega dela e sua relação com o próprio corpo: comia tudo aquilo que tinha vontade, sem se preocupar com a rápida redução da atratividade física, porque, segundo ela, como ela já estava em um relacionamento estável, não era mais necessário seduzir o parceiro.

 

Obviamente, este caso é exagerado, mas pensemos no que nós, em um relacionamento estável, fazemos para a sua manutenção. Será que, ainda que em menor grau, não agimos como a colega desta minha amiga? Será que não descuidamos deste aspecto importante que é manter a chama acesa?

 

Pois bem. Tratarei de outra obra que não li. A nossa querida Elizabeth Gilbert (ver post anterior) escreveu outra obra neste 2010 (Comer, Rezar, Amar é de 2006). O título em tradução aproximada do inglês é "Comprometida: uma cética faz as pazes com o casamento".

 

A autora conta que o seu relacionamento com o guia turístico australo-brasileiro Felipe tinha como regra o "não vou casar". No entanto, por exigência da imigração estadunidense, ou os dois casavam, ou ele não poderia entrar naquele país.

 

O que faz alguém se colocar esta regra? Um dos motivos mais importantes é, exatamente, o medo de que a estabilidade do relacionamento traga comodismo ao casal. Ou seja, que já não se aja para seduzir, para manter, para regar e cultivar o amor, permitindo que ele morra ou nasça em outro lugar.

 

O AmorAmigo não permite que isto aconteça. O diálogo constante de um casal que se conhece e conhece o outro permite a detecção contínua de eventuais problemas no relacionamento. Deixa-se de priorizar as coisas pequenas ou externas (ciúmes, detalhes de comportamento, relação do casal com outros "potenciais parceiros") para valorizar o essencial, o grande, o interno (planos comuns, sejam profissionais, amigos, românticos ou sexuais, formas de seduzir, formas de agradar, formas de valorizar o outro).

 

Quando há diálogo constante, o casamento é apenas um rito que legitima a união perante outros. Aliás, segundo o psicólogo e professor da USP Ailton Amélio, em seu livro "Relacionamento Amoroso", trata-se de um rito que melhora a relação, pois o compromisso da manutenção deixa de ser apenas de conhecimento do casal para ser de conhecimento de todos os amigos e familiares. Ou seja, há muito mais gente para se prestar satisfações.

 

Portanto, a questão não é o casamento em si, que traria consigo o comodismo, na visão de muitos. A questão é o grau de compromisso com a manutenção da união. E, se é esse o objetivo, então a formalização da união, com o casamento, é a melhor forma de fortalecer o AmorAmigo. Outras formas de aumentar o compromisso também são bem-vindas, como o uso de anéis, noivados ou outros ritos.

 

Mas, obviamente, se não há AmorAmigo, casar pode piorar a relação. É, infelizmente, o caso da história relatada no primeiro parágrafo...


28
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 21:35link do post | comentar

Tenho conversado com algumas pessoas que assistiram ao filme "Comer, Rezar, Amar", em cartaz nos cinemas, ou que leram a obra em que o filme se baseia. Para quem não sabe, trata-se de história "verídica" e "autobiográfica" de uma escritora nova-iorquina, Elizabeth Gilbert.

 

O grande erro de quem assiste ao filme já está evidenciado na frase anterior: achar que a história é factualmente verdadeira. Pois não é que quem a escreveu é uma escritora profissional? Eu penso no seguinte: na hipótese de ser tudo verdade, nenhuma de suas obras anteriores tem valor, já que a autora tinha uma vida bastante limitada, e assim enxergava o mundo.

 

Já se for tudo fantasia, ok. A única coisa diferente é que a autora conseguiu mais sucesso que os escritores de romances das séries Julia, Sabrina e outros de bancas de jornais...

 

O cineasta português João Pereira Coutinho escreveu um artigo muito interessante para a Folha.com, derrubando o filme. Para ler, clique aqui.

 

De início, o clichê do casamento que não tem mais chama e que "precisa ser trocado". Bem característico dos dias atuais: não se conversa, não se discute, não se reforma: descarta-se.

 

Depois, o clichê literário/cinematográfico da "busca e salvamento" da felicidade. Que, aliás, sempre é encontrada nos filmes... Fácil, fácil, e das maneiras mais improváveis.

 

Na fase do comer, tanto a escritora quanto a sua intérprete mantêm-se em forma, apesar de ter uma relação nada saudável com a comida. João Coutinho faz a promessa: se o filme não ganhar o Oscar de efeitos visuais, ele larga a Academia (a de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, não a de ginástica)!

 

Não destacarei os clichês italianos, tão perniciosos e ofensivos quanto os brasileiros (a propósito, ainda bem que a mulher brasileira, na grande maioria dos casos, não é aquela que pintam pelo mundo!).

 

Quanto ao rezar, vive-se a ilusão de que se conhece o ser humano recorrendo ao divino. Além de serem dimensões distintas, a crença de que uma força maior é capaz de te conduzir positivamente na vida apesar de suas contínuas ações na direção oposta é de uma inocência ímpar, mas, infelizmente, arraigada. Que o diga o filme e livro clichês.

 

(Aqui cabe um parêntese. Que fique claro que estou criticando aqueles que olham para cima para pedir tudo, antes de olhar para os lados. Aqueles que recorrem a Deus, Cristo, Alá, santos, anjos, bruxas, gnomos etc. antes de compreender o outro, antes de buscar a conciliação no âmbito das relações humanas. Critico aqueles que não se dão conta de que aquilo que pedem ao divino prejudicará outra pessoa, ou é irrelevante do ponto de vista transcendental. Aqueles que pedem o bem e fazem o mal. Quem não se lembra dos corruptos e de sua "oração da propina", agradecendo pelo dinheiro que foi roubado dos necessitados? Todos merecemos um momento de autorreflexão, para saber se não cometemos, em maior ou menor grau, os mesmos erros).

 

Ah, o amar! O amar é o ponto forte do filme, em termos da repetição dos erros. O que leva a autora ao seu novo (e segundo seu site oficial, elizabethgilbert.com, atual) relacionamento com o brasileiro radicado na Austrália é a sedução, é a atenção que o parceiro dá no início do relacionamento, como parte da conquista. O relacionamento começa e se baseia da mesma forma que todos os anteriores! Por que o fim seria distinto?

 

Surpreende, também, o fato de a escritora ter conseguido um relacionamento estável com um guia turístico, uma das profissões que mais rende relacionamentos instantâneos de que se tem notícia, dadas as condições extremamente propícias para a realizações de fantasias (amorosas, românticas e sexuais) fugazes, especialmente pela enorme distância física e social que se estabelece entre os envolvidos.

 

Ainda que a autora tenha sido uma feliz exceção, crer que, depois desta fase inicial de relacionamento, as coisas continuarão como antes, agitadas, sempre surpreendentes, é a maior ilusão que se pode criar. Até porque alguma estabilidade é bem-vinda. Ou você quer acordar cada dia com uma pessoa completamente diferente daquela com que foi dormir?

 

É alta a chance de esse filme ter uma sequência breve, de alguma alma perspicaz, no YouTube, com Elizabeth e Felipe agindo da mesma forma que começa o filme original: Liz chora no banheiro enquanto seu marido ronca no quarto. Mais um relacionamento fracassado porque baseado no mais volátil: em quase tudo na sedução inicial, na atração de corpos, e em quase nada na amizade e na afinidade de mentes e de planos futuros.

 

O conto de fadas é lindo, "felizes para sempre" uma frase dos sonhos, mas a realidade mais bonita e estável é a do AmorAmigo.

 

P.S. em 7 de dezembro: Do blog de Zé Geraldo Couto, que fala sobre cinema: "Uma última observação: os filmes 'baseados em fatos reais', daqueles em que letreiros explicam no fim o destino de cada personagem, me dão um fastio mortal. E criam no espectador mais desavisado a falsa ideia de que 'foi assim mesmo que aconteceu'. Pessoalmente, prefiro os filmes baseados em fatos irreais."


27
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 03:23link do post | comentar

Ontem, discutíamos sobre "O marido e o outro". Hoje, quero trazer à baila outro texto que está intimamente ligado ao anterior, menos pelas situações mas mais pelas causas.

 

Trata-se de um desabafo publicado em um site de solteiros, em que o autor se questiona por que as mulheres dizem gostar de cavalheiros e acabam caídas pelos cafajestes. Algo que, diga-se, acontece de forma idêntica, sem tirar nem pôr, com os homens: todos querem a mulher "para casar", mas vão à balada procurando a mulher "para se divertir". Reproduzo um trecho com alguns cortes:

 

Há algum tempo uma coisa vem me preocupando muito. Por que só os safados e cafajestes se dão bem com as mulheres? Por que só quem não as levam tão a sério são os que realmente “as levam”? O que mais me deixa triste com as mulheres é que elas falam uma coisa mas querem ou, pelo menos, são atraídas inconscientemente por outra.

 

Toda mulher tem o mesmo discursinho enjoado. Devem aprender isso ainda na escola, numa hora em que nós, meninos, não estamos por perto. Todas dizem que gostam de caras fiéis, sérios, que demonstrem o quanto as amam, atenciosos, respeitosos, enfim, tudo isso que todos sabemos. Balela! O que mais se vê por aí é um bando de caras assim, do jeito que elas “gostam”, chupando dedo enquanto malandrões sacanas estão nadando de braçada. Antes que pensem: Ah! Esse cara é do bando dos bons que não arrumam mulher e vem aqui chorar as pitangas. Eu digo: Sim, sou desse bando, por vocação, mas entrei no outro, por opção.

 

Quando se faz a opção pelo AmorAmigo, a gente tenta "desligar" a atração física e sexual e passa a buscar as características que realmente interessam para um relacionamento estável. Não se trata de deixar em segundo plano a atração, mas de dar-lhe o peso que tem, que não pode ser maior que o que tem a amizade em um relacionamento "nascido para durar".

 

A questão é que a balada não é lugar propício para se buscar amizades, mas sim relacionamentos baseados na atração física. E, como já nasceu desse jeito, poucos gostam de fazer nascer daí uma amizade. Aliás, se tentarem, podem até chegar à conclusão de que o relacionamento é inviável. Para quê passar por esse risco? Segue-se sem diálogo! Até que a coisa explode...*

 

De fato, o AmorAmigo é mais "sem sal" que a paixão. O problema é que sal demais faz mal ao coração...

 

A dose certa? Exigir do AmorAmigo uma bela dose de sedução (o que não pode ser problema, porque diálogo e abertura para isso não faltam) ou exigir da paixão que passe a se basear também no diálogo e na amizade, sob pena de terminar em rompimento ou em traição (eis o mal ao coração). Seguir fingindo que está tudo bem, em um caso ou em outro, é que não dá.

 

Para ler o texto completo, clique aqui. É divertido, leve e traz diversos casos ocorridos com o autor que são clichê, de tão frequentes.

 

*Pergunto-me: isso é se "dar bem", como coloquei no título? Eu divirjo veementemente.


26
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 04:00link do post | comentar

Estava eu há cerca de um mês em uma roda de mulheres, observando a conversa de temática tão característica neste tipo de ajuntamento: homens. Eis que uma delas saca um maço de papel e lê o que seria um e-mail (daqueles tipo corrente) que teria lhe sido enviado. O tema? "O marido e o outro".

 

Trata-se de texto que lista características "negativas", antirromânticas, dos maridos e a posição oposta, sensual e dedicada, dos amantes ("outros"). Ao fim, o texto conclui, de forma óbvia: Por que não trocar o marido pelo amante? Pelo simples fato de que o amante, se for viver com você, passará para o papel de marido e logo, logo, você precisará arrumar outro.

 

Não que tenha sido um caso isolado, ao contrário. É cotidiano. Só que foi quando me dei conta da naturalidade com que se percebe o tema da traição e do adultério. Não é um fenômeno sexual ou de gênero, tão somente. É um fenômeno social.

 

Fico me perguntando se, em muitos destes casos, marido e amante não poderiam ser a mesma pessoa, ainda mais dada a conclusão do texto, destacada no itálico acima. Quero dizer: por que razão deveríamos deixar a chama se apagar, sendo coniventes com um fracasso anunciado, e preferir carregar o peso da traição no lugar de se abrir com o parceiro e exigir mais carinho e sensualidade?

 

Não falta amizade, diálogo e conhecimento do outro nos relacionamentos? E por que razão falta? Por que acabou ou por que nunca houve?

 

Ao conversar com uma das mulheres da roda posteriormente, concordamos com a possibilidade de encontrar o "dois em um". Mas, sem diálogo no casal, parece impossível.

 

Caso queira ler o texto completo de "O marido e o outro", ele está aqui e em muitos outros sites, sendo fácil encontrá-lo pelo Google pelo título.


25
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 04:55link do post | comentar

Leonardo Sakamoto é um jornalista especializado em direitos humanos. Mas, recentemente, destacou em seu blog uma constatação curiosa. Leia a seguir o trecho inicial do post:

 

Quando alguém é preso, geralmente não vai para a cadeia sozinho pagar pelo crime que cometeu. Junto vão muitas mães, irmãs, esposas, filhas, avós que, religiosamente, fazem filas nas portas dos centros de detenção e presídios, desde as primeiras horas nos dias de visita. Um lanche, um bolo de fubá, revistas, pilhas para o radinho, uma muda de roupa, pacotes de cigarros – que servem de moeda e diversão. No final, a pena de muitas dessas mulheres termina no dia em que seus filhos, maridos, pais, irmãos deixam a cadeia. Quando deixam.

 

(É triste que as mesmas filas não se formem do lado de fora dos presídios femininos. A quantidade de companheiros e familiares que vão visitar mulheres encarceradas são em número vergonhosamente menor, uma vez que a quantidade de mulheres nessa situação que são abandonadas é bem maior que a de homens. Mulheres, com notáveis exceções, têm sido criadas para acompanhar e servir. Homens para serem idiotas e egoístas.)

 

Esta tolerância da mulher com comportamentos reprováveis dos homens, representada pelo apoio irrestrito mesmo em situações em que os fatos não o permitem?

 

No contexto deste blog, isto pode ser percebido quando vemos um número muito maior de mulheres que toleram a traição de seus maridos, em relação à de maridos que fazem vista grossa e não se vingam com o comportamento recíproco.

 

Dos casos que conheço, e não são tão poucos, porque os homens gostam de se vangloriar da traição nas rodas de amigos, e as mulheres fingem ou realmente acreditam ser algo natural, eu afirmo que em nenhum, nem como exceção à regra, o relacionamento do casal se iniciou ou, principalmente, floresceu na amizade. Tratavam-se e tratam-se como se, de fato, fossem uma de Vênus e o outro de Marte, sem diplomata nem tradutor.

 

E você? Conhece alguma exceção? Tem alguma teoria que explique isso?

 

Para ler o texto completo do post, clique aqui.


24
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 05:05link do post | comentar

Há muitos que gostam de ler "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry. Algumas frases mexem com a gente, e vale a pena ler de vez em quando para a gente se orientar na vida. Vamos lá!

 

O príncipe falando de sua rosa: Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava ... Não devia jamais ter fugido. Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar.

 

O rei: Tu julgarás a ti mesmo, respondeu-lhe o rei. É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues julgar-te bem, eis um verdadeiro sábio.

 

Sobre o vaidoso: Os vaidosos só ouvem os elogios.

 

Diálogo do bêbado:

— Que fazes ai? perguntou ao bêbado, silenciosamente instalado diante de uma coleção de garrafas vazias e uma coleção de garrafas cheias.
— Eu bebo, respondeu o bêbado, com ar lúgubre.
— Por que é que bebes? perguntou-lhe o principezinho.
— Para esquecer, respondeu o beberrão.
— Esquecer o quê? indagou o principezinho, que já começava a sentir pena.
— Esquecer que eu tenho vergonha, confessou o bêbado, baixando a cabeça.
— Vergonha de quê? investigou o principezinho, que desejava socorrê-lo.
— Vergonha de beber! concluiu o beberrão, encerrando-se definitivamente no seu silêncio.

 

Para o capitalista:

— Eu, disse ele ainda, possuo uma flor que rego todos os dias. Possuo três vulcões que revolvo toda semana. Porque revolvo também o que está extinto. A gente nunca sabe. É útil para os meus vulcões, e útil para a minha flor que eu os possua. Mas tu não és útil às estrelas...

 

Sobre o acendedor de lampiões: é o único que não me parece ridículo. Talvez porque é o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio.

 

A raposa:

— Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
— Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

 

Outra da raposa:

— A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

 

A despedida da raposa: Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

 

O aviador, à guisa de conclusão: O que tanto me comove nesse príncipe adormecido é sua fidelidade a uma flor; é a imagem de uma rosa que brilha nele como a chama de uma lâmpada, mesmo quando dorme... Eu o pressentia então mais frágil ainda.

 

O príncipe trava diálogo:

— Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim... e não encontram o que procuram...

— Não encontram, respondi... E no entanto o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d'água...
— É verdade.
E o principezinho acrescentou:
— Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração...

 

O livro está em uma montanha de lugares na internet, como aqui, por exemplo.


23
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 04:24link do post | comentar

Texto de Eduardo Yabusaki no site Vya Estelar/UOL sobre a cultura do "ficar" dá apoio àqueles que buscam um romance sério. Destaco um parágrafo do texto:

Pela visão da Terapia Comportamental Cognitiva, o ficar está na contramão do que todos os indivíduos efetivamente desejam, que é encontrar alguém com quem se possa estabelecer um vínculo compromissado e envolvido por afeto e sentimentos profundos, um romance verdadeiro.

Não sei se são todos os indivíduos que desejam um vínculo, um compromisso. Acho que muitos não querem compromisso, especialmente na juventude, quando não costumam existir grandes problemas na vida, problemas que sejam ideais para se dividir com alguém. Mas que o "ficar" é diametralmente oposto à priorização do amor em relação ao sexo ou à paixão, isso é.

 

Fica a pergunta para você responder nos comentários: se uma certa pessoa é moralmente reprovável (um(a) traficante, um(a) político(a) corrupto(a), um(a) funcionário(a) público(a) indolente, uma pessoa extremamente preconceituosa ou racista, entre outras), você ficaria com ela?

 

Acho que a resposta da maioria é não. Mas é o que acontece, sim, na balada ou na festa, quando você fica com um(a) desconhecido(a).

 

Para ler o texto completo, clique aqui.


22
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 04:54link do post | comentar

Nessas navegações despretensiosas pela internet, acabei caindo no blog de uma brasileira vivendo em Kathmandu, Nepal. Uma de suas postagens recentes, de 5 de novembro último, fazia referência ao seu amadurecimento nos últimos anos.

 

Um texto delicioso, cujo parágrafo mais divertido eu reproduzo abaixo. O negrito me fez rachar de tanto rir!

A primeira boa mudança made in Kathmandu foi que antes eu me interessava pelos rapazes por todas as razões erradas. Sempre porque ele era bonito, e aí variava, porque tem banda, é loiro, tem corpão, pega onda bem, é megaculto… bom, eu avisei que era pelas razões erradas! Tipo pegar um trem porque o banco é de veludo sem saber onde é o destino. E nesse tempo que eu me dei longe do mundo, eu aprendi a me conhecer e a gostar de mim. Agora, quando me interesso por alguém é porque ele tem bom caráter, é bom amigo, trata bem as amigas, é inteligente, é sensível, acha legal eu ser mãe, pensa nos outros e tudo isso torna o rapaz good looking. Demorou quase 40 anos para eu aprender a não me jogar na primeira impressão, criar mil fantasias e dar tiro n'água. O bom é ir com calma, pois devagar a gente chega lá mais rápido.

  

Hoje é sexta e tem festa. E ele vai estar lá… wish me luck!

Quer ler a postagem completa da autora, a VJ Elka Andrello? Clique aqui!

 

 

  


21
Nov 10
publicado por AmorAmigo, às 03:30link do post | comentar

Este blog, mais que um espaço de culto ao AmorAmigo, o amor que nasce da amizade, quer ser um espaço de interação, onde você também pode sugerir contribuições, enviar textos, comentar, aprovar, discordar...

 

O blog quer ser um espaço em que você, que gosta de romances construídos tijolo por tijolo, se sente bem, da mesma forma que este blogueiro e tantas outras pessoas.

 

Compartilhar ideias, oferecer textos interessantes para que você possa chamar a atenção do seu amigo ou da sua amiga, fazer deste um espaço romântico, mas amigo, é a principal ideia que rege o blog.

 

Para curtir o espaço, não é preciso estar apaixonado. Apenas ser capaz de abrir as portas do seu coração para aquela pessoa amiga que tanta alegria é capaz de te trazer. Ou ser capaz de elevar um sentimento de uma amizade tão sublime às portas do amor romântico.

 

Seja bem-vindo(a)!


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